Linguagem oral e escrita foram temas da aula inaugural de Pedagogia

Considerações sobre o letramento e o desenvolvimento metalinguístico e suas implicações educacionais foram discutidos durante palestra
Por Márcio Aguiar

A hora e vez da voz. “A linguagem oral e as relações com o aprendizado da leitura e escrita” foi o tema debatido pela fonoaudióloga Selma Maria Domingues El Hage, durante a aula inaugural do curso de Pedagogia da Faculdade Max Planck, realizada quarta-feira (18), às 19h, na Câmara Municipal.

A especialista em dislexia e distúrbios de aprendizagem falou sobre como estimular a linguagem das crianças e sobre a importância da leitura e escrita com a oralidade. “O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora”, afirmou a palestrante. “A alfabetização é sem dúvida, o momento mais importante da formação escolar de uma pessoa”, disse.

Segundo ela, reconhecer a importância da literatura infantil e incentivar a formação do hábito de leitura na idade em que todos os hábitos se formam, isto é, na infância, é imprescindível. Neste sentido, a literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa.

A conferente também evidenciou a dimensão de ouvir histórias e do contato da criança desde cedo com o livro e esboçou algumas estratégias para desenvolver o hábito de ler. “Para que a criança adquira o valor sonoro das letras, você deve estar a algum tempo, ensinando-a através de jogos, músicas, brincadeiras e repetição (muita repetição), como cada letra “fala” (o seu som)”, disse. “Um som pode ter várias letras e uma letra pode ter vários sons”, afirmou.

 

Consciência Fonológica

Para a educadora este é o ‘Pulo do Gato’. “À medida que a criança vai desenvolvendo a leitura, ela cria uma rota lexical, observada em crianças que escrevem, no entanto, não leem”. Ela explicou que é comum a queixa de que a criança, ao final da alfabetização, escreve, mas não lê. A conferencista afirmou que um bom programa de alfabetização deve estar voltado para um desenvolvimento progressivo de competências. “Palavras de estímulo, considerando a mudança de atitude e melhoria na leitura contribui para o bom aprendizado”. “As pessoas só aprendem no conflito”, ressaltou. “E para se despertar o interesse pela leitura e escrita, é preciso que o amor faça parte deste processo o tempo todo”, argumentou.

 

Metalinguística

Sobre a consciência metalinguística e alfabetização, a debatedora contou que estudos comprovam que as crianças com níveis mais elevados de consciência metalinguística apresentam desempenho superior na aprendizagem da leitura e escrita. “No processo de alfabetização é necessário investigar a influência da consciência fonológica, lexical e sintática, sobre a aquisição da linguagem escrita”, ressaltou.

De acordo com a especialista, o atraso de fala, dificuldades em estabelecer interações interpessoais, gagueira, dificuldades no aprendizado escolar com trocas de letras, dificuldades na leitura e na compreensão da fala, alterações da voz, alterações na memória, no raciocínio e isolamento, são sintomas que devem servir de alerta aos pais e educadores.

Para a coordenadora do curso, professora Suzana Frittelli Bruno, o tema da aula para os alunos do curso de Pedagogia é de grande importância, pois, trata da relação do aprendizado da leitura e escrita com a oralidade, o que reflete intimamente no exercício da docência. Conforme a coordenadora, para os discentes da Pedagogia essa é uma questão bastante delicada e que deve ser estudada constantemente, pois, irá refletir diretamente no aprendizado de seus alunos. “Portanto, essa aula inaugural foi um momento de reflexão e aprendizagem sobre o tema e, que vem completar e aprimorar as habilidades dos futuros pedagogos”, reiterou.

 

Sobre a palestrante

A educadora é formada em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), especialista em Motricidade Orofacial, com especialização em Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem, Neurociências e Aprendizagem pelo Instituto Cefac. Mestre em Conceito de Reabilitação Corporal e Orofacial, pela Associação Brasileira Castillo Morales.

 

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