Palestras sobre Biodiversidade e Sustentabilidade movimentam aula inaugural de Medicina Veterinária

A atuação nas áreas de animais selvagens e genética animal foram os temas abordados
Por Márcio Aguiar

Aulas com DNA de excelência. Assim podemos definir as palestras realizadas na Câmara Municipal, na quinta-feira (12), às 19h, durante a aula inaugural do curso de Medicina Veterinária, da Faculdade Max Planck. O médico veterinário Jean Carlos Ramos Silva foi o primeiro conferencista e ministrou a palestra com o tema: “Biodiversidade e Uma Saúde – A atuação do médico veterinário na área de animais selvagens”. O palestrante que é formado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com mestrado, doutorado e pós-doutorado na área de Epidemiologia e Zoonoses pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo é um dos autores do livro “Tratado de Animais Selvagens – Medicina Veterinária”, único exemplar em português do gênero, considerado o livro de maior importância no Brasil. A coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Max Planck, professora Maria Fernanda Vianna Marvulo, foi uma das colaboradoras do livro, publicado pela editora Roca/Gen (Grupo Editorial Nacional), escrevendo o capítulo sobre Zoonoses. Ela falou sobre a importância das palestras na formação dos alunos. “As palestras com especialistas de diversas áreas da medicina veterinária e experiência em grandes instituições é de fundamental importância para o curso, que é idealizado com foco na formação dos futuros profissionais”, explicou.

 

Biodiversidade

Para o pesquisador a relação entre biodiversidade e saúde constitui uma questão atual bastante desafiadora, pois são amplamente reconhecidas às consequências das modificações ambientais e suas influências na saúde das populações, sejam animais ou humanas. O veterinário explicou que o contato, cada vez mais presente, de seres humanos e animais domésticos com animais silvestres e suas áreas naturais podem resultar num crescente número de espécies sob-risco de extinção e traz sérios problemas em termos de manejo e em relação à saúde do homem e da fauna em áreas naturais. Também ressaltou a importância da diversidade biológica para designar a variedade de formas de vida em todos os níveis, desde micro-organismos até flora e fauna silvestres, além da espécie humana. “Contudo, essa variedade de seres vivos não deve ser visualizada individualmente, mas sim em seu conjunto estrutural e funcional, na visão ecológica do sistema natural, isto é, no conceito de ecossistema”, salientou.

 

One Health

O conceito de Uma Saúde (One Health) pensamento que ressalta a indissociável ligação que existe entre o entendimento ao redor da saúde humana, a saúde animal e a saúde ambiental, foi um dos temas mais importantes expostos pelo conferencista. Conforme o debatedor, o objetivo desta nova área do conhecimento é buscar a integração do diagnóstico das doenças e as ferramentas para sugerir soluções aos profissionais que trabalham nesta área, aliando o conhecimento ecológico com o intuito de conservar a biodiversidade e proporcionar a saúde das espécies animais, incluindo a espécie humana. “A saúde ecológica, por intermédio da junção das saúdes animal, humana e ambiental (dos ecossistemas), é o escopo da medicina da conservação”. “Esta abordagem transdisciplinar busca então a integração de profissionais, visando à melhoria da qualidade de vida dos seres vivos e dos ecossistemas e, por extensão, do próprio planeta”, reiterou. Em seu debate, o palestrante que é responsável pela Gestão de Projetos do Instituto Brasileiro para Medicina da Conservação – Tríade, demonstrou a amplitude da Medicina Veterinária e mostrou o Brasil como o paraíso das aves, e sua diversidade de biomas (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônica, Pantanal e Ambientes Costeiros). O Cerrado e a Mata Atlântica foram classificados como hotspots, ou seja, as áreas que precisam de mais cuidado e atenção em relação à fauna no país. Dentro deste contexto, existe a vida selvagem e a vida em cativeiro. Ele explicou que a vida selvagem trata-se da vida natural, com o animal vivendo em seu ambiente de origem, e quando há a manutenção da vida desses animais em seu ambiente, é chamado de conservação in situ. Já o cativeiro é a conservação ex situ, ou seja, fora do ambiente de vida do animal, como zoológicos, criadouro e Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).

 

Educação ambiental

Dando continuidade, o palestrante discutiu sobre os parques zoológicos, envolvendo a conservação, pesquisa científica, educação ambiental, lazer e recreação do público visitante e auxílio nas ações de políticas públicas. Ele ressaltou a preocupação de se evitar o estresse do animal, tomando cuidado com o manejo e o controle de doenças que podem acarretar esta situação. O especialista explicou que o manejo engloba a marcação para identificação do indivíduo (anilha, tatuagem, microchip), contenção correta de cada espécie, transporte (ex: caixa específica), ambientação, nutrição, reprodução (alto indicador do bem estar do animal no ambiente, utilizada para preservação da espécie) e manuseio sanitário (manutenção da prevenção). O acadêmico também falou sobre o enriquecimento ambiental, evidenciando a qualidade da ambientação do recinto do animal, preservando as características do habitat natural e abordou sobre a nutrição animal. “A nutrição é um dos fatores mais importantes para a qualidade de vida do animal silvestre, e o profissional deve ter o conhecimento sobre a biologia do animal e qualidade do alimento”, disse. “Sobre aves, como nem todas possuem dimorfismo sexual, é necessária fazer a sexagem. Suas gônadas são internas e na reprodução em cativeiro, pode ser feita a incubação artificial, com a necessidade de técnicas especializadas em reprodução”, ressaltou.

 

Biossegurança

Para o veterinário, toda a questão do cuidado de uma instituição é envolvida pelo manejo sanitário ou biossegurança. Essa biossegurança é formada por uma rede de fatores, que abrangem inicialmente a higienização e a desinfecção do recinto, para favorecer um ambiente de qualidade ao animal. “O segundo componente da rede é o alimento de qualidade, e que estes estejam devidamente estocados para que não haja a transmissão de micotoxicoses para os animais. É importante a presença de uma câmara fria para contenção da carne”, afirmou. Durante o debate, também foi ressaltada a importância do estágio na vida do aluno, como principal suporte do estudo, devido à aplicação dos aprendizados e oportunidade de ensinamentos que não serão vistos durante o período da faculdade. Após a explanação, foi aberto um espaço para a discussão e perguntas. “Nunca devemos esquecer a cultura”, ressaltou o pesquisador, salientando que “Apesar da profissão do Médico Veterinário trabalhar com animais, trabalhamos também com humanos, e que a relação e integração com as outras pessoas também faz parte da construção de um profissional de sucesso”, reiterou.

 

Genética animal

Você já imaginou ter em sua granja uma poedeira de 100 semanas de idade, com uma produção de 500 ovos durante sua vida e sem muda forçada? Este foi um dos temas abordados pelo segundo debatedor, professor Fidel Gerardo Gonzalez, durante a palestra “Genética Animal e Sustentabilidade”. O médico-veterinário que atualmente é o gerente de Área da América do Sul na Hendrix Genetics Ltda é formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com diversos cursos de extensão e especialização em avicultura, congressos e network com as maiores empresas de proteína animal do mundo, como Tyson, Brazil Foods, Cobb Vantress entre outras, com mais de 25 anos de experiência em genética e reprodução avícola. Segundo o especialista, os padrões atuais estão acima de 400 ovos por ave alojada, num ciclo de 90 semanas de idade, e o projeto é chegar a 500 ovos em 2020. “Porém, já é possível perceber o incremento de produção e a melhoria da persistência de produção anualmente e, em muitas regiões, já se pode observar o prolongamento do ciclo com bons resultados”, disse. O conferente também abordou os desafios da sustentabilidade para o melhoramento genético, aumento da produtividade com a redução do tempo entre nascimento e abate e, a adaptabilidade dos animais, com técnicas mais eficientes e integradas às condições nas quais estão inseridos.

 

Banco genético

Ele contou que a ISA-Hendrix Genetics possui o maior banco genético de linhas puras com pedigree no mundo e investe anualmente cerca de 20% do volume de negócios diretamente no programa de melhoramento genético com o objetivo de melhorar continuamente a qualidade dos ovos e o desempenho na postura das poedeiras. Conforme Gonzalez, a produção das linhas puras está alojada em sete modernos centros de reprodução localizados no Canadá, França e Holanda, onde um grande número de características em um ciclo de 100 semanas de produção é monitorado. “Os dados coletados a partir dos centros de reprodução e fazendas contratadas são armazenados, processados e analisados com a plataforma informática de reprodução FlexyBreed para selecionar os melhores indivíduos de cada raça de linha pura”, explicou.

 

Líder mundial

Líder mundial em genética animal, a Hendrix Genetics é composta por quatro divisões – envolvendo os segmentos de suínos, perus e salmão – está com a mais nova linha orientada para os produtos tradicionais na parte perus, galinhas caipiras e d’angolas e frangos coloridos. Com sede no Brasil na cidade de Salto, a empresa produz as avós e matrizes que atende a indústria mundial de poedeiras nas linhas Bovans, Dekalb, Hisex e ISA. Segundo o geneticista, atualmente, 50% da produção mundial de ovos origina-se das aves de postura criadas nos plantéis da companhia.

 

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